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Como funciona a cybermortadela petista

53 dias atrás - Em: 27/08/2018 12:18


O sábado (25) ia tranquilo até as 18h30, quando uma denúncia da influenciadora digital Paula Holanda fez tremer o solo de todo ativismo militante da esquerda.

Sua denúncia expôs um esquema anti-ético pelo aspecto pessoal e criminoso pelo aspecto jurídico, de contratação para propaganda eleitoral que envolve um grande número de influenciadores digitais.

Explico a falha ética – de caráter mesmo, dos envolvidos – e o aspecto legal no final do texto. Vamos agora entender o que se passou.

Influenciadores digitais

Após a denúncia da moça, ao pesquisarmos o nome do político Wellington Dias no Twitter, imediatamente apareceram diversas publicações no topo dos ‘Tweets populares’ — todos eles formados por influenciadores digitais.

A estratégia foi muito bem elaborada, não restam dúvidas. As publicações enalteciam o governador do Piauí de uma forma diferente, o que para o público leigo faz parecer de fato um ato espontâneo do twitteiro que segue e não um serviço contratado por um partido.

O mais incrível é que nenhum dos influenciadores conhece o político Wellington Dias, muitos menos a rejeição que o candidato tem na região que estavam levantando bandeira.

O site da Agência Lajoy, misteriosamente, saiu do ar no domingo.

Análise do caso

Ao difundir uma ação de rede coordenada do PT, para promover candidatos como Wellington Dias, do Piauí — a thread de Paula Holanda começou citando Gleisi Hoffmann, do Paraná, e Luiz Marinho, de São Paulo. A moça ainda afirmou que existe um quarto petista na fila. Além de algo grave, a publicação revela que não é uma ala isolada do PT do Piauí. É um envolvimento com toda cúpula do PT nacional.

Outro ponto a ser questionado com bastante cautela: O dinheiro pago para essas ‘ações’ estava declarado ou era caixa dois?

Segundo hipótese levantada pelo site Conexão Política: “se a origem do dinheiro for ilícita, toda essa operação de contratos seria lavagem de dinheiro”.

 Consultando por indicação de um especialista a Resolução 23.551/2017 do TSE, encontrei o seguinte texto no Artigo 24: “vedada a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na internet, excetuado o impulsionamento de conteúdos, desde que identificado de forma inequívoca como tal e contratado exclusivamente por partidos políticos, coligações e candidatos e seus representantes”.

Esta resolução (23.551/2017) trata da propaganda eleitoral, da utilização e geração do horário gratuito e das condutas ilícitas durante campanha eleitoral. Em outras palavras, é crime sim e a pena é cassação do mandato por abuso de poder econômico.

Como disse no começo do texto, os twitteiros que participaram desta ação comportaram-se como anti-éticos e criminosos.

Anti-éticos porque os seguidores que depositaram neles suas confianças esperavam comportamento espontâneo, não um serviço publicitário partidário, remunerado e ainda por cima criminoso.

Criminoso porque ter plena consciência do que fazem é um dever, sobretudo tratando-se de política, terreno no qual decidem-se as leis do país, e neste caso praticaram propaganda política ilegal.

Ainda com relação aos twitteiros, por outro lado seria cômico se não fosse trágico: este é um exemplo pungente do significado de “idiota útil“.

Nem penso mais em punição dos culpados isoladamente, a pergunta que não me sai da cabeça hoje é a seguinte:

Por que razão o PT ainda não teve sua sigla cassada?!

Texto extraído do site Terça Livre